Agora que estou prestes a completar três semanas aqui no Reino, acho que devo escrever sobre qual a atitude certa a adoptar aqui. Sei que pode parecer pretensioso, escrever sobre isto, tão cedo, mas acho importante verbalizar o que tenho vivido e sentido aqui.

É verdade que quando estamos longe do nosso país, valorizamos certos aspectos que até então nos pareciam corriqueiros e dados adquiridos. Exemplificando: ver um rio, contemplar as montanhas, atravessar a rua numa passadeira, aceitar que vermelho significa parar e verde avançar e outras coisas tão banais e aparentemente universais… Mas também é verdade que, quando estamos longe, apercebemo-nos que há outro lado da realidade e que há vários caminhos possíveis para o mesmo local sendo que, cada um é diferente, porém válido e digno de respeito.

Pois bem, aqui no Reino, podemos adoptar duas posturas. Podemos chegar aqui e pensar que tudo está mal, que viemos da civilização e que vamos ensinar os habitantes daqui como viver, pensar e agir. Podemos estar sempre a comparar o Reino com o nosso país de origem, mas isso não nos vai levar a lado nenhum, apenas irá contribuir para aumentar as saudades e o stress e atrasar ou até mesmo, impossibilitar a adaptação.

A segunda atitude e a que acho que é a mais correcta e saudável é encarar esta realidade com uma certa leveza, a chamada “easy going life”, baseada na filosofia da expressão árabe Inshaallah. Não adianta resmungar quando as lojas fecham para as orações ou quando temos que usar abaya para ir à cidade. Não vale a pena. Não vale a pena comparar este país com o nosso. Foram, são e serão sempre sociedades, culturas e mentalidades diferentes.

Aqui somos estrangeiros, mas convidados. Estamos aqui por que queremos. Por isso, para quê o queixume, para quê o sobrolho franzido? Há que aproveitar o que esta terra de contrastes tem para nos oferecer e ensinar e fazer de cada dia, um dia feliz e um dia de conquista.

Passeio...