Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade. Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis. — T.E. Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria.

Na continuação do post anterior, achei por bem falar um pouco de T.E. Lawrence. Uma figura ímpar na história do século XX.

Certamente conhecem a música do filme que biográfico “Lawrence of Arabia”. Sim, já ouviram de certeza.

Lawrence of Arabia

Este personagem histórico serviu de base ao filme “Lawrence da Arábia”, um épico de 1962.

Aqui vai um excerto do texto da Wikipedia

“Thomas Edward Lawrence (16 de Agosto de 1888 – 19 de Maio de 1935), também conhecido como Lawrence da Arábia, e (aparentemente entre os seus aliados árabes) Aurens ou El Aurens, foi um arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata e escritor britânico .

Tornou-se famoso pelo seu papel como oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. A sua fama como herói militar foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante e jornalista americano Lowell Thomas, e ainda devido ao livro autobiográfico de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria.

Foi convocado para as Forças Armadas da Inglaterra no início da Primeira Guerra Mundial e em 1917 seria oficialmente destacado para a força expedicionária do Hejaz, sob o comando do General Wingate, sendo transferido em 1918 para o estado-maior do General Allenby.

É como tenente do serviço secreto inglês que Lawrence inicia, em 1914, sua carreira militar no Oriente Médio. A identificação de Lawrence com a causa árabe, cultivada quando ainda trabalhava como arqueólogo, torna-o peça importante da manobra britânica para vencer o Império Turco Otomano, aliado da Alemanha na guerra. Como oficial inglês e admirador da cultura árabe, aproxima-se de Faiçal, um dos líderes da revolta e filho do xerife de Meca, Hussein ibn Ali. Seus conhecimentos sobre a geografia local e o exército turco, somados aos ideais de soberania da nação árabe, logo conquistam Feisal e fazem de Lawrence o conselheiro logístico do movimento, comandante de um exército de dez mil homens.

Grande articulador, ele consegue reverter a ocupação do território árabe, impedindo a retaliação turca, através de ações de guerrilha, como explosões de trens e estradas de ferro e aniquilação de reservas materiais, que culminam com a tomada de Damasco em outubro de 1918. Nesse ano, Lawrence foi promovido ao posto de tenente-coronel.

Lawrence foi feito Companheiro da Ordem do Banho e foi-lhe concedida a Ordem de Serviços Distintos (DSO) e a Legião de Honra francesa, mas em Outubro de 1918 recusou ser feito Comandante Cavaleiro do Império Britânico (que lhe possibilitaria o uso do título de Sir ), das mãos do próprio rei Jorge V.

Em 1919 tornou-se conselheiro da delegação árabe na Conferência de Paz de Paris, onde viu as antigas promessas de reconhecimento da soberania da nação árabe serem desfeitas, com a divisão dos territórios árabes entre França e Inglaterra. Foi também nesse ano que o seu pai morreu e que a mãe lhe confirmou que ele e seus irmãos eram filhos ilegítimos, facto chocante para a época e que muito perturbava o próprio Lawrence.

Entre 1921 e 1922 foi consultor de assuntos árabes da Divisão do Oriente Médio do Departamento Colonial. A convite de Winston Churchill participou, em 1922, da Conferência do Cairo.

Em 1922, embaraçado em parte com a notoriedade da lenda de “Lawrence da Arábia” (criada pelo jornalista americano Lowell Thomas), e recusando inúmeros convites de trabalho e posição concordantes com o seu talento e capacidades invulgares, Lawrence preferiu alistar-se na Royal Air Force (RAF) como soldado raso, sob o nome de John Hume Ross, onde foi sujeito a uma recruta muito dura que descreveu no seu livro póstumo, The Mint. A sua situação singular depressa foi descoberta e explorada pela imprensa e o comando da RAF viu-se forçado a exonerá-lo.

Contudo, não desistiu dos seus planos de ingressar nas fileiras, e em 1923 alistou-se no Royal Tank Corps, sob o nome de Thomas Edward Shaw, nome que adoptou oficialmente em 1927. Nova recruta ainda mais brutal do que a primeira, e entre camaradas de caserna verdadeiramente boçais na sua maioria, cuja vulgaridade e grosseria o repugnavam. A vida naquele corpo militar, em Bovington, era-lhe bastante penosa, e só os velozes passeios de motocicleta e as breves horas passadas no refúgio que criou na sua cabana de Clouds Hill lhe mitigava os dias embrutecidos.

Por fim, em 1925, depois das sucessivas recusas aos seus pedidos de transferência, teve de de ameaçar suicidar-se, conseguindo que o seu amigo e comandante da RAF Hugh Trenchard, para evitar um escândalo nacional, aceitasse o seu regresso à RAF, onde permaneceu tranquilo e protegido, como responsável de arrecadação e depois técnico de lanchas de salvamento, até à sua passagem à reserva em 1935, recusando sempre toda e qualquer promoção de posto acima de cabo.

Lawrence foi um soldado exemplar, íntegro, meticuloso na execução dos seus deveres e um excelente camarada, generoso e amável. A maioria dos outros militares sabia que aquele homem modesto e quase insignificante, reservado e com modos aristocráticos era o famoso Lawrence da Arábia, mas respeitavam-lhe a intimidade e não lhe faziam perguntas sobre o seu passado. Era, contudo, um subordinado incómodo para alguns superiores hierárquicos mais inseguros ou incompetentes, que se sentiam incomodados por terem de lidar com um antigo tenente-coronel e com o seu currículo. Lawrence tinha muitos amigos poderosos entre a élite militar, política e cultural britânica (Winston Churchill, Hugh Trenchard, Lady Astor, George Bernard Shaw, Thomas Hardy, E.M. Forster, Liddell Hart, Robert Graves, Noel Coward etc.), e isso desagradava a alguns dos seus chefes, que temiam que ele pudesse expôr-lhes as fragilidades.

Em 13 de Maio de 1935, Lawrence foi de moto até aos correios de Bovington, para enviar uma encomenda de livros a um amigo e um telegrama a Henry Williamson. De regresso a Clouds Hill, ao desviar-se abruptamente para evitar o embate com dois jovens ciclistas foi cuspido da moto, fracturando gravemente o crânio. Permaneceu em coma durante seis dias, morrendo a 19 de Maio, aos 46 anos e 9 meses de idade, sem nunca ter recuperado a consciência (se tivesse sobrevivido teria ficado em estado vegetativo). Foi enterrado a 21 de Maio, na Igreja de São Nicolau, em Moreton, Dorset. Assistiram ao enterro Winston Churchill e Lady Astor, entre outros notáveis.”